De Minas, 1º azeite extra virgem brasileiro
A pequena Maria da Fé produziu no ano passado 200 litros do produto
A cidade de Maria da Fé, no Sul de Minas Gerais, é conhecida desde a década de 40 como a "cidade dos olivais". As árvores de azeitonas estão presentes nas principais ruas e praças do município de 15 mil habitantes. No entanto, apenas este ano Maria da Fé iniciou a exploração das azeitonas - e se tornou a primeira produtora de azeite extra virgem do País.Apesar de o Brasil consumir anualmente 23 mil toneladas de azeite de oliva e 49 mil toneladas de azeitonas, todo esse volume vem de fora. O País não produz azeitonas em conserva nem azeite, um mercado que movimenta internamente cerca de R$ 250 milhões ao ano. O consumo é suprido pelos produtos vindos principalmente da Espanha, de Portugal e da Itália.Após uma primeira produção artesanal, pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) decidiram instalar este ano uma fábrica para a produção de azeite na região. "Vimos que nosso azeite tem a mesma qualidade dos importados. Para este ano, vamos ampliar o plantio e a produção", diz o pesquisador da Epamig João Vieira Neto. O investimento inicial será de R$ 85 mil. "As máquinas não são caras, e manteremos boa parte do processo artesanal para ter maior qualidade."O azeite da Epamig é o extra virgem, aquele com acidez inferior a 0,8% e cuja prensa das azeitonas é feita apenas algumas horas após a colheita - manual, para não danificar os frutos. Este ano, foi colhida uma tonelada de azeitonas e produzidos 200 litros de azeite. "Foi uma fase experimental e artesanal. Em 2009, pretendemos prensar 600 quilos ao mês." Para a produção do azeite, as frutas colhidas são lavadas, trituradas (com caroço) e depois prensadas com um peso superior a 25 toneladas. Da pasta, escorre o azeite, e bastam algumas gotas para sentir o aroma característico do produto. Curiosamente, a azeitona recém-colhida tem um gosto que beira o pavoroso. O sabor amargo deve-se a uma substância chamada oleopropeína, que só é diluída após o processo de conserva. "Nem passarinho e macaco têm coragem de comer azeitona no pé", brinca o técnico agrícola Renato Stumpf. "Dessas pragas, a plantação não sofre."Uma oliveira leva cerca de 5 anos para dar frutos de qualidade. "Com o sucesso das pesquisas da Epamig, surgiram mais produtores interessados na plantação comercial de oliveiras na região", diz a secretária de Cultura de Maria da Fé, Maria Rita Marchetti. "Iniciamos um projeto cultural com todos os professores do município para estimular entre as crianças o estudo das oliveiras, desde seu uso na Idade Antiga, na Grécia e na região da Síria, até a economia que seus produtos movimentam nos dias de hoje." Os maiores produtores mundiais de azeite de oliva são a Espanha (720 mil toneladas/ano), a Itália (500 mil) e a Grécia (350 mil). "Estamos muito longe disso, mas a oliveira pode criar empregos e tornar-se uma nova oportunidade de emprego na região", diz a secretária. A economia de Maria da Fé gira especialmente em torno da agricultura - onde boa parte da produção é orgânica - e do artesanato feito com folha de bananeira.MERCADO INTERNOO empresário Hugo Gonçalves é um dos primeiros a investir na oliveira como negócio na região. "Já estamos produzindo mudas para a venda, e começamos a montar uma cooperativa de pequenos produtores para atender o mercado local", diz o fundador da Oliva Brasil. Segundo a prefeitura, já há espanhóis adquirindo fazendas na região.Como Maria da Fé está situada na serra - e é conhecida por ser a cidade mais fria de Minas Gerais -, seu terreno é montanhoso, não propício para grandes fazendas. "Mas há vários terrenos para pequenas plantações, e podemos trabalhar em cooperativa, como regiões da Itália e da Espanha." Ele diz que, além de Maria da Fé, há estudos em fase de pesquisa no Rio Grande do Sul e no Nordeste.Inicialmente, a produção de Maria da Fé visa a atender o mercado interno, especialmente as casas especializadas em azeites. O especialista em azeites Marcus Pimentel, da butique Oliviers & Co, diz que o mercado brasileiro deve crescer cerca de 20% este ano. "Assim como muitos brasileiros aprenderam a apreciar um bom vinho, também houve interessados em provar os bons azeites." Apesar de acessíveis a poucos - um litro pode chegar a R$ 100 -, os azeites premium caíram no gosto do consumidor graças a suas propriedades benéficas para o sistema circulatório e digestivo.
Fonte: Ana Paula Lacerda - Jornal O Estado de São Paulo Caderno de Economia 06/04/2008
domingo, 6 de abril de 2008
De Minas, primeiro azeite extra virgem brasileiro
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2 comentários:
Oi Gabriel,
adorei a temática do blog.
Acredito que essa moça do estadão não provou o azeite de Maria da Fé..rs.. Mas td bem... Adorei a matéria sobre o ExpoAzeite.
Você vai nesse encontro no Rio Grande do Sul? Tou achando tão caro!!!..rs..
Beijos!
Gabriel,
Veja em "Configurações", depois em "Básico", se o item "Permitir que mecanismos de pesquisas localizem seu blog" está selecionado "Sim". Pode ser por causa disso que o Google não o esteja achando.
Abraços
Adriano
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