domingo, 27 de abril de 2008

Data de validade nos azeites- Chef Carlos Bertolazzi

Opinião - Chef Carlos Bertolazzi
A Babel dos Azeites
Tenho recebido diversos e-mails me perguntando, diante da quantidade de marcas expostas nas gondolas dos supermercados e “boutiques” de azeites, como identificar quais são os azeites mais indicados para a preparação de determinadas receitas.Parece que o varejo, na tentativa de sofisticar o consumo tem competido pra ver quem tem um mix mais completo. Congelado diante daquele mundaréu de vidros e latas, o consumidor fica mais confuso do que excitado. Alguns me perguntam: O que faço? Tenho que experimentar todos?Os rótulos não ajudam. Trazem informações óbvias quando tratamos de azeite extra virgem como “sem colesterol”, ”primeira prensagem”, ou % de acidez (que não tem qualquer relevância sensorial e não chega a ser obrigatória em alguns países produtores) e pouco falam sobre os tipos de azeitonas usadas ou suas características, como se o consumidor tivesse que saber que em determinadas regiões os azeites costumam ter determinadas características.Resolvi então passar por algumas dessas lojas e confesso que fiquei assustado com a quantidade de azeites diferentes exposta. Para que? Isso é um desserviço ao consumidor. Tanto azeite diferente na prateleira, sem informação, significa azeite parado. E no caso do azeite, diferente do vinho, quanto mais velho PIOR!!!!!!!Peguei então garrafa por garrafa e já comecei a notar irregularidades de alguns importadores ao colocar somente a data de vencimento do azeite (o que já está em desacordo com o código do consumidor). O pior é que a grande maioria dos azeites tinha vencimento em 2008, o que demonstra se tratar de azeites que podem ter sido produzidos até em 2004, pois alguns insistem que o azeite extra virgem pode durar 4 anos.

Se na Europa, continente de clima temperado, a validade raramente passa de 3 anos, o que dizer de azeites que atravessam o Atlântico e envelhecem parados nas gondolas de supermercados lutando contra dois de seus maiores inimigos (luz e calor).É imprudente dizer que um azeite com um ano de um produtor seja pior que um azeite com 6 meses de outro, mas é garantido que um azeite do mesmo produtor mais jovem é muito melhor que um mais antigo.Queremos sofisticar o consumo de azeite no Brasil. Já existe gente até tentando fabricar a versão tupiniquim, mas vamos nos preocupar primeiro em ensinar como comprar e principalmente como degustar e usar o azeite correto.Azeite sem data de fabricação.....TO FORA!!!!

Fonte: Cucinagastronomia.blogspot.com - Chef Carlos Bertolazzi 15/04/2008

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